terça-feira, 30 de novembro de 2010

SIM!

É tão ridículo quando me perguntam se estou bem.

Apenas olhe!

Olhe minha face.

Olhe as lagrimas escorrendo por ela.

E responda você mesmo:

Estou bem?

Pareço estar bem?

Aparento estar bem?

Nesses momentos, várias palavras podem descrever-me, menos bem.

Não sei se me perguntam por educação;

Ou se realmente se importam comigo;

Perguntar o que aconteceu seria relevante;

Se algo aconteceu seria equivalente.

Apenas não me pergunte se estou bem.

Essa palavra dói;

Bem;

Quanto tempo faz que não me sinto assim?

Muito tempo passou desde que respondi, sinceramente, essa pergunta com um sim.

E, paulatinamente, o estar bem parece mais distante.

O estar bem é aquela luz no final do túnel,

Aquela luz que todos nós queremos atingir de qualquer maneira,

Todavia a luz está fugindo,

Ou seria eu que estou?

Eu, como todas as pessoas sãs,

Anseio pela paz;

Pela luz no final do túnel.

Desejo responder a fatídica pergunta com um belo e sibilante:

SIM,

Um real, verdadeiro e profundo sim;

Contudo o tempo passa,

As pessoas vêm e vão,

O sim dessas chega;

Vai;

E chega novamente;

Enquanto divertem-se,

Alegram-se,

E aproveitam o sim.

Estou aqui,

Esperando,

Aguardando a chegada do meu tão aguardado,

Tão esperado,

E por mais efêmero que esse seja,

Ainda o desejo com todas as minhas forças.

Quando aquele fatídico cumprimentar,

Comum para todos,

Doloroso para mim,

Chegar e perguntarem-me se estou bem,

Espero,

Quero,

Desejo,

Um dia,

Poder responder com sinceridade

E, nesse dia,

Gritarei um grito,

O maior de todos,

Que saia do fundo dos meus pulmões

E que seja apenas uma palavra.

A mais desejada e esperada.

Berrar para todos ouvirem.

SIM!

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