É tão ridículo quando me perguntam se estou bem.
Apenas olhe!
Olhe minha face.
Olhe as lagrimas escorrendo por ela.
E responda você mesmo:
Estou bem?
Pareço estar bem?
Aparento estar bem?
Nesses momentos, várias palavras podem descrever-me, menos bem.
Não sei se me perguntam por educação;
Ou se realmente se importam comigo;
Perguntar o que aconteceu seria relevante;
Se algo aconteceu seria equivalente.
Apenas não me pergunte se estou bem.
Essa palavra dói;
Bem;
Quanto tempo faz que não me sinto assim?
Muito tempo passou desde que respondi, sinceramente, essa pergunta com um sim.
E, paulatinamente, o estar bem parece mais distante.
O estar bem é aquela luz no final do túnel,
Aquela luz que todos nós queremos atingir de qualquer maneira,
Todavia a luz está fugindo,
Ou seria eu que estou?
Eu, como todas as pessoas sãs,
Anseio pela paz;
Pela luz no final do túnel.
Desejo responder a fatídica pergunta com um belo e sibilante:
SIM,
Um real, verdadeiro e profundo sim;
Contudo o tempo passa,
As pessoas vêm e vão,
O sim dessas chega;
Vai;
E chega novamente;
Enquanto divertem-se,
Alegram-se,
E aproveitam o sim.
Estou aqui,
Esperando,
Aguardando a chegada do meu tão aguardado,
Tão esperado,
E por mais efêmero que esse seja,
Ainda o desejo com todas as minhas forças.
Quando aquele fatídico cumprimentar,
Comum para todos,
Doloroso para mim,
Chegar e perguntarem-me se estou bem,
Espero,
Quero,
Desejo,
Um dia,
Poder responder com sinceridade
E, nesse dia,
Gritarei um grito,
O maior de todos,
Que saia do fundo dos meus pulmões
E que seja apenas uma palavra.
A mais desejada e esperada.
Berrar para todos ouvirem.
SIM!